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domingo, 22 de setembro de 2013

Junk Gypsies


No sentido oposto de Timothy Oulton estão as irmãs Sikes que dão estilo e espírito ao programa Junk Gypsies que passou há uns tempos no canal de TV cabo - Fine Living Network. Com elas não há rigor, não há coisas certinhas, nem clássicas, há sim um estilo boémio, colorido e reciclado conseguido numa verdadeira caça aos tesouros. Cada episódio começa sempre da mesma maneira, perante um novo projeto de decoração, Amie e Jolie partem em busca de objetos únicos e peculiares em feiras e lojas de artigos em segunda mão que povoam toda a América, algumas peças são transformadas por elas e ganham uma nova vida algures na casa de um cliente.
Este estilo de decoração é também uma filosofia de vida e um negócio próspero, para além do armazém e da loja, são criados diversos merchandisings associados à marca, bem como roupa e acessórios. O styling pode ser um pouco girly e demasiado excessivo para o meu gosto, mas adoro o lettering escolhido e a ideia de criar produtos próprios ligados à marca.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

The Great Gatsby Art Direction



Como é que me podia ter esquecido! Não há duas sem três... para além da banda sonora e dos figurinos, a cenografia é outro dos trunfos de qualquer filme minimamente preocupado com a estética, e neste caso, em The Great Gatsby, a preocupação chega ao detalhe.
Para além do guarda roupa, Catherine Martin também se ocupou dos cenários, cuidando de uma produção responsável por fazer os espectadores mergulharem no universo dos anos 20.
O projeto da residência foi baseado nas grandes casas de Long Island, que de certa forma se assemelham ao castelo da Disneyland e que no filme nos quer reportar mesmo para um mundo de fantasia. Em 14 semanas uma equipa construiu, pintou e decorou a mansão de Gatsby, incluindo o grande salão de festas, a biblioteca, o quarto, o hall de entrada, o terraço e jardim. Já para as cenas de exterior, o edifício gótico de St. Patrick’s Seminary em Sydney, foi usado com algumas alterações digitais.
Em suma, Baz Luhrmann e a sua equipa construíram este mundo espetacular que traz de volta a atmosfera vintage, luxuosa e elegante da década de 20... e que eu gosto tanto.

The Great Gatsby Costume Design



Para fechar estas crónicas dedicadas ao filme The Great Gatsby só falta mesmo falar do guarda roupa, que nos filmes de Baz Luhrmann é outro dos pontos fulcrais e que ajuda para que o todo seja aquela overdose de excessos que já conhecemos.
Catherine Martin, esposa de Baz, tem sido a responsável pelos figurinos em quase todos os filmes do marido, mas para Great Gatsby convidou Miuccia Prada a compor cerca de 40 para as personagens secundárias, com a ideia de dar mais sofisticação e glamour ao ambiente envolvente e deixar de lado as boás que tanto caracterizam os filmes ambientados nos anos 20. Prada assina apenas um modelo da protagonista, todos os outros looks foram criados por Catherine (descobri agora que temos algo em comum, fazemos anos no mesmo dia, tinha mesmo que ser das artes e das modas)! As joias que acompanham as roupas são Tiffany’s e ajudam a retratar a atmosfera de riqueza e euforia vivida na década da art déco. Aqui ficam alguns dos croquis:



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

The Great Gatsby OST


A cereja no topo do bolo de Great Gatsby, como já vem sendo habito em todos os trabalhos de Baz Luhrmann, é a banda sonora. Uma constelação de estrelas foram destacadas para dar voz às canções do filme que têm por base os sons da Jazz Age da década de 20, com toques do Hip Hop próprios dos tempos modernos. Ao contrário de Moulin Rouge e Romeo + Juliet, a música não surge como uma personagem do filme, porque não se trata de um musical, mas ganha por ser um álbum que sintetiza a indústria musical na época do lançamento do filme e que daqui a 10 anos mostrará ao ouvinte a mistura de pop com influencia retro, música eletrónica e R&B que atualmente domina as rádios.
Produzida em conjunto com o rapper americano Jay-Z, a banda sonora aposta em novos nomes de prestígio como Lana Del Rey com o maravilhoso “Young and Beautiful”, Florence + the Machine, The XX, e outros artistas de popularidade mais que comprovada, como Beyoncé, Jack White, Will i AM, Fergie e Sia, mas a maior surpresa vem do trio inglês Nero, com a canção “Into the Past”.
A respiração pesada seguida de graves agressivos e escuros conduzem a um refrão transcendental, onde os vocais sussurrados de Alana Watson envoltos em sintetizadores atmosféricos fazem o delírio. Há muito que não ouvia algo tão rico, luminoso e igualmente melancólico. É viciante.

 Nero - Into the Past

 Lana Del Rey - Young and Beautiful

terça-feira, 3 de setembro de 2013

The Great Gatsby



Parece que o cinema levou esta história escrita por F. Scott Fizgerald às telas diversas vezes, mas eu confesso que não vi nenhuma delas, portanto, este Grande Gatsby realizado por Baz Luhrmann foi visto sem margem para comparações. Contudo, bastam os primeiros minutos para nos reportarmos a Moulin Rouge, como o iniciar da história em narração e a utilização de texto na tela, mas depois é o delírio, com o filme a ganhar outras proporções. A realização vertiginosa, a montagem acelerada, a produção como um espetáculo de energia e cor, o guarda roupa, a banda sonora, o overacting dos atores, afinal é este estilo histriónico que tanto caracteriza o seu autor e é exatamente isso que se espera de um filme de Baz Luhrmann.
Dizem as criticas que as escolhas visuais de Baz mais servem para distrair do que para impregnar força à trama, que a análise social da obra original se perde no meio de tanto deslumbramento e excesso, mas uma verdade seja dita, são as imagens e o estilo exagerado do realizador que se tornam perfeitos para retratar os ambientes da época, os belos e dourados anos 20. Foi também nesta época que se foi buscar inspiração para a banda sonora e mais uma vez temos uma sintonia perfeita entre a música pop de artistas contemporâneos com a Belle Époque numa sobreposição de épocas e estilos brilhante, que apenas peca por não aparecer no filme como um musical, mas também não é disso que se trata.
Baz Luhrmann merece créditos por dar a sua interpretação e imprimir o seu estilo a um clássico, invés de simplesmente referenciar a obra. Para muitos pode ainda não ser esta a versão perfeita do Grande Gatsby, mas o resultado final é tal como a própria sociedade descrita no clássico de Fitzgerald: deslumbrante, visualmente rica, mas com pouco que a sustente.


segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Baz Luhrmann



Quando soube que estava para estrear outro filme do realizador Baz Luhrmann a expectativa e a vontade de ser surpreendido era grande. Romeu + Julieta foi o princípio das histórias envoltas numa grande componente visual e Austrália foi o pós, uma compilação dos grandes épicos dos anos 50 numa superprodução como há muito não se via, pelo meio realizou o fabuloso Moulin Rouge que até hoje me faz crer ser impossível haver outro filme tão esteticamente perfeito.
Com este historial Baz conquistou logo o meu gosto cinéfilo, porque chega a todos os pontos que me atraem num filme. Tanto é mestre a reinventar o passado em história novas, como a criar novos ambientes em história já conhecidas, que é o caso do remake que estreou este ano: The Great Gatsby.
É sem duvida o meu realizador preferido, no entanto é também o mais renegado pela Academia. Eu só pergunto quando é que lhe vão reconhecer o devido valor.